quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Além dos limites


Título Original: Borderline (Kikis Story) (2010)
Direção: Lyne Charlebois
Gênero: Drama
Duração: 110 min








A história de Kiki, contada por ela mesma, começa pela afirmação “Não tenho limites”. Assim, desde o início de seu relato vemos seu constante pedido de socorro.

Filme denso e profundo, que retrata a dor do desamparo. O título original – Borderline – remete-nos ao Transtorno de personalidade borderline. Resumidamente, a personalidade borderline apresenta um padrão de relacionamento flutuante e confuso, comportamento impulsivo e autodestrutivo, que pode levar ao suicídio. O comportamento compulsivo da Kiki aparece no excesso sexual e no abuso de álcool.

Vemos, também, um fator ambiental favorável ao desenvolvimento do Transtorno Bipolar – a negligência durante a infância. Logo, se a criança cuida de sua mãe, quem cuidará dela? Desamparo aprendido. 

Senti que na pele de Kiki parecem insuportáveis: a dor, a loucura, o vazio, o sexo, o gozo, o choro, o riso. O auge do seu desespero é retratado pela sua fala “Eu deveria ter me enforcado no seu cordão umbilical”. Tinha um tempo que algo não me incomodava tão profundamente.

Sua busca por limite e até mesmo por sobrevivência além de passar pelo sexo e pelo álcool, passa  também pela arte – a escrita e o desenho.

Por fim surge a alegria do reconhecimento possibilitando o recomeço. Mas, ficou-me engasgada a seguinte pergunta: Quando ela encontrar amparo e amor, saberá reconhecê-lo?



Para os mais curiosos, os critérios diagnósticos do Transtorno de Personalidade Borderline, segundo o D.S.M. IV (Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais), publicação da APA (associação americana de psiquiatria) são:
Critérios diagnósticos
Um padrão global de instabilidade dos relacionamentos interpessoais, da autoimagem e dos afetos e acentuada impulsividade, que se manifesta no início da idade adulta e está presente em uma variedade de contextos, indicado por, no mínimo, cinco dos seguintes critérios:
(1) esforços frenéticos no sentido de evitar um abandono real ou imaginário. Nota: Não incluir comportamento suicida ou automutilante, coberto no Critério 5.
(2) Um padrão de relacionamentos interpessoais instáveis e intensos, caracterizado pela alternância entre extremos de idealização e desvalorização
(3) Perturbação da identidade: instabilidade acentuada e resistente da autoimagem ou do sentimento de self
(4) Impulsividade em pelo menos duas áreas potencialmente prejudiciais à própria pessoa (p. ex., gastos financeiros, sexo, abuso de substâncias, direção imprudente, comer compulsivo). Nota: Não incluir comportamento suicida ou automutilante, coberto no Critério 5.
(5) Recorrência de comportamento, gestos ou ameaças suicidas ou de comportamento automutilante
(6) Instabilidade afetiva devido a uma acentuada reatividade do humor (p. ex., episódios de intensa disforia, irritabilidade ou ansiedade geralmente durando algumas horas e apenas raramente mais de alguns dias)
(7) Sentimentos crônicos de vazio
(8) Raiva inadequada e intensa ou dificuldade em controlar a raiva (p. ex., demonstrações frequentes de irritação, raiva constante, lutas corporais recorrentes)
(9) Ideação paranóide transitória e relacionada ao estresse ou graves sintomas dissociativos

Prêmios:
O filme ganhou 10 prêmios em Festivais Internacionais de Cinema, entre eles, Toronto International Film Festival, Brooklyn International Film Festival, Genie Awards e Jutra Awards.





quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Um olhar do Paraíso


Título no Brasil:  Um Olhar do Paraíso
Título Original:  The Lovely Bones (2009)
País de Origem:  EUA / Reino Unido / Nova Zelândia
Gênero:  Drama
Tempo de Duração: 135 minutos
Direção: Peter Jackson

Trailer do filme Um Olhar do Paraíso

“Tinha 14 anos quanto fui assassinada...” assim se inicia a história de Susie. Sua vida cheia de promessas é interrompida por um ato criminoso e doentio. Ainda presa à memória, ao amor e à esperança, Susie não faz a passagem (misterioso espaço entre a Terra e o Céu). Mas precisa fazer uma escolha: buscar por vingança ou ver seus familiares e amigos seguirem em frente, viverem.

Assistir a esse filme foi, para mim, um exercício de desapego da ciência. Então, para que eu pudesse aproveitá-lo foi preciso me permitir fazer parte do Paraíso de Susie. E também de seu sofrimento e dramas. A narração da própria personagem me “induziu” a entrar, fazer parte, do seu drama.

As belas e coloridas paisagens mais a simbologia nos leva da fábula ao criminal. Flutuamos nas esperanças da adolescente diante do mundo do qual ela foi bruscamente retirada. Por momentos pensei estar dormindo dentro de um sonho.

Fazer parte do sonho dela me fez lembrar os meus sonhos e a minha ideia de Paraíso. Paraíso – independente da religião (crença), ou do nome dado a ele, cada um de nós temos a sua representação do Paraíso.

Para conhecer melhor sobre a morte, o morrer e o luto:
Livro: Sobre a morte e o morrer
Elisabeth Kübler-Ross
Editora Martins Fontes